30 de ago. de 2006

Losing hair and youth

O que me lembrou essa música na verdade foi o barulho de eletricidade que tem na versão em estúdio. Urbano, querendo se esconder dentro de um armário, ouvindo o barulho da luz elétrica lá fora.

Lá fora.
Lá fora.

Red Alert



Could you, please, be king and show me the nearest Emergency Exit? I have to press de Panic Button, and someone should stop this madness. No games, please, for me it is enough.

28 de ago. de 2006

Semi-Arrependimentos [Pré-âmbulo: O Esteta + Gasolina]

Robbie Williams — No Regrets




“I didn’t lose my mind
it was mine to give away
Couldn’t stay to watch me cry
You didn’t have the time
So I softly slip away

I don’t want to hate
But that’s all you left me with
A bitter aftertaste
And a fantasy of how we all could live

Remenber the photographs (insane)
The ones were we all laugh (so lame)
We were having the time of our lives
So thank you, it was a real blast

Everything I wanted to be
Everytime I walked away
Everytime you told me to leave
I just wanted to stay

Often I sit down and think of you for a while
But when it pass and I think of someone else instead
I guess the love we once had is officially dead”


[o clipe tem uma estética super interessante. Onde se escava além das aparências e da felicidade superficial até se ver o queimar-se por dentro. Além de várias coisas que adoro: cinismo, incêndios criminosos, andar sem rumo depois de ter fugido de algum evento sem avisar, e desafios suicidas entre os carros. Apesar da possibilidade, a letra ainda não é uma realidade atual. Espero não ser o nosso futuro. Ok?]

Semi-Arrependimentos [Discurso e desenvolvimento: Doce de leite]

Pois é... é mais ou menos isso. Você está lá, ao lado dessa pessoa, cumprindo a promessa que você fez de sempre nutri-la, sempre cuidá-la, apóia-la e ama-la incondicionalmente. Ser parceiro, amante, amigo, família, professor, aluno, louco, critico, inimigo intimo. Ser único.

Perfeito, é meu trabalho e faço isso com honra e prazer!

Mas ai, a pessoa se enche de ego e vaidade. Pensa que nunca vai te perder. Então passa a ser negligente, a deixar tudo para depois, a fazer tudo nas coxas, pois sabe: — ah, ele disse que nunca vai se cansar de mim. Ah, ele sempre me perdoa. Ah, ele é paciente. Ah, ele me ama. Ah, eu estou no controle disso, no controle da relação. Ah, ele é louco por mim. Ele sempre vai está ao meu lado, não importa o quão idiota eu aja, quantas burrices eu faça.

Pois então... uma hora a gente cansa, não? Não é cansar de esperar, cansar de amar, paciência se foi. De repente, a sensação que fica é que você esta levando as coisas a sério e o outro, não. Simples. Muitíssimo simples. E a coisa é assim: criança tem de crescer, e se já passou do tempo, fica para trás. Infantilidade tem hora.

[I want to be elastic for you, but enough is enough.]

A parada é que eu estou quebrando o meu padrão. Estou cansado de ficar IMPLORANDO por dez minutos de atenção. De fazer das tripas, coração. Deixar coisas que são importantes para depois, porque o outro tem sono, não está afim, tem medo e covardia.

Eu penso assim: você tem de ficar atento às coisas que são de sua responsabilidades. Elas não existem por si só. E sempre tem outra pessoa de olho no que é seu. E se você não alimenta, eu vou ser obrigado a procurar em outro lugar. O que está acontecendo é exatamente: passou o dia e tudo que lembro é que pessoa L foi carinhosa comigo, veio aqui em casa, perguntou como eu estava, me deu atenção, deitou na cama comigo, cochilamos um pouco, fez carinho na minha cabeça e quando foi embora deixou um monte de pirulitos escondido na minha bolsa. Enquanto a pessoa P (que é a pessoa mais importante para mim) fez: . Isso mesmo. Nada. Rejeitou meu abraço, não quis conversas comigo porque não estava afim, deixou de me ver pois estava com preguiça. Sem falar que eu paguei o almoço dela, pois esquecera a carteira em casa. E eu não me incomodo de pagar o almoço, mas no fim parece que eu joguei dinheiro fora, pois quando eu fui comprar pirulitos para mim, não tinha dinheiro mais porque gastei com pessoa B, mas ainda bem que a pessoa P deixou uns para mim, sem eu pedir. No fim do dia eu não tenho nada positivo para lembrar da pessoa L.

[Quem você prefere ficar: pessoa L ou pessoa P?]

Estou guardando um pote de doce de leite para a gente comer junto, mas ele está ficando cada dia mais perto da data de validade. O que eu posso fazer com isso? Ou como com outra pessoa, ou como sozinho ou meto a porra do doce de leite numa câmara criogênica! A ironia é que eu sequer gosto de doce de leite.

Parafraseando o filme Eu, Você e Todos Nós (uma palavra: assista!): “Call me, you fucker! We have a whole life together, but it won’t start if you don’t call!”

Então é isso, cultive o que você quer que seja eterno porque no fim se você perder você só tem a se culpar. E lidar com peso na consciência deixa as pessoas loucas e deprimidas.

E finalmente, que amor incondicional é esse que necessita da condição do outro corroborá-la? Sim, seria hipocrisia da minha parte (apesar do meu cinismo, tenho ética e nem um pingo de preguiça moral. Mesmo não sendo uma pessoa ortodoxa, tenho ética de pessoa heterodoxa.). A grande questão é: mantenho uma promessa sim, mas qual é a validade da minha promessa se você não a aceita, a ignora? Meu compromisso se torna uma promessa esquálida, inválida, atrofiada, catatônica, paraplégica. Ela não vai existir sem uma bomba de oxigênio, uma cadeira de rodas e/ou uma rede de segurança.

Não tenho grana para tudo isso, meu caro.

[Você está se tornando mais um Luiz, mais um Rodrigo, duas pessoas que você sabe que eu odeio por não ter um pingo de caráter e eu não faço a questão de sequer atender o telefone.]


“We’ll be the worst of the best friends”

Semi-Arrependimentos [Ilustração Final: Alerta + Gasolina]

Institute — Bulletproof Skin





“We’ll be the worst of the best friends

Burn, baby, burn
Strung out on a wire
Heart in a cage
You’re so full of desires
You need fast hands to deal with of the liars
Bulletproof skin
To keep you alive
So don’t burn baby

It’s a waste of joy

I can’t hold you, I can’t hold you
To lose you is to never love again”

[música interessante, videoclipe péssimo. Qualidade ainda pior, só escute a música que é o fundamento.]

25 de ago. de 2006

Amores Líquidos

Pois então...

Nada além dos ruídos de comunicação típicos da sociedade contemporanêa.

Líquidos, liquefeitos...

[ouvindo Prague, por Damien Rice]


É mais fácil viver só em sua própria cabeça. Mais fácil.

19 de ago. de 2006

Muscle Museum - Muse

"Can you see that I am needing
Begging for so much more
Than you could ever give
And I don’t want you to adore me
Don’t want you to ignore me
When it pleases you
And I’ll do it on my own"

Kinda funny. Ironico, mas somente eu saberei o porquê. Um quê de piada interna.
But I don't think it is remotely funny, so it can not be a joke.
Porém, é bonitinho... Um vídeoclipe com uma idéia interessante.

Às vezes me dá uma vontade de chorar assim, deitado no meio da rua, debaixo do sol.
Chamar atenção? Nem um pouco.

17 de ago. de 2006

Embrasse moi si tu peux.


I miss the rain. E novembro está chegando, ainda bem.
Sinto falta da chuva, andar na chuva, observar os prédios à noite pela janela do quarto, só, na cama, sem roupa debaixo do cobertor. O escuro, o barulho de uma gota de chuva mais pesada chocando-se contra a janela e o silêncio que há entre essa gota e a próxima.

[suspiro]

Lembra-me músicas tristes. Bem, serenas, não tristes, exatamente. Não importa, porém, qualquer música é triste durante essa espera, essa consternação, essa solidão.

Chato chato chato....não é que eu tenha perdido as esperanças. Só acho que, racionalmente, se ele me quisesse tanto quanto eu o quero, já teria acontecido by now. Isso porque tanto eu e ele gostamos das coisas lentas. Acredito que mais longa jornada, mais recompensador o destino.

Mas as coisas não são assim. Não nesse mundo. Nossa comunidade contemporanêa, mundo de aparências.
Fui muito longe com ele e não quero nada desse gênero com ninguém mais. It wouldn’t be the same, and he is so peculiarly special. No one should take his place, not in my heart.

“Ele te ama também, você ouviu da boca dele. Ele só não te ama da mesma forma que você.”

Quantas vezes ouvi isso?
Então... basicamente... eu estive amando todos eles da forma errada. Tenhamos um pouco de humor: a única coisa em comum entre todos meu relacionamentos fracassados é uma só: eu.
Legal, não?
Anda-se muito, conquista-se pouco. Ou pelo menos um grandioso amadurecimento pessoal. Muito egoísta da minha parte. Crescer só, enquanto tudo que eu quero é ter fé em alguém, e não me decepcionar. Ser fiel.

Porque é clara minha decepção. Não estaria com tanta raiva se não tivesse esperando algo dele. Lição do dia: é algo extremamente errado acreditar em uma pessoa, logo o egoísmo é a chave da sobrevivência.

Sejamos mesquinhos então. Cínicos, amargos, pessimistas. E ainda me dizem que eu sempre tendo ao easy-way-out, the path of least resistence. Silly me, há? Haha, e ainda me culpam.

Fico aqui sentado, paciente, esperando minha vez, ou a hora que ele vai se tocar que ele também não é inocente nesse jogo de sedução e finalmente ceder aos meus cortejos...
Todos os shonhos que tive.
Todos os planos que fiz(emos).
Todo o conforto que ofereci quando ele chorava.
Toda preocupação que tive enquanto ele estava doente, e eu querendo ser um super-homem-médico-Deus e trazer a ele a cura.
Todas as promessas que fiz, e cumpri.
Todos os presentes que dei, genuínos.

Not a single regret!

Mas presentes, preocupações, carinho, por mais genuínos, singelos e bem intencionados, não compram amor. Não trazem reciprocidade. E por mais que haja (ainda há) amor entre nós, in the end is a simple matter: love is not enough.

Porque acabei perdendo para caras que deram muito menos, esforçaram muito menos, cumpriram muito menos, honraram muito menos. E magoaram mais, e se divertiram muito mais.

Há, porque ele veio até a mim, abandonado, chorando as mágoas. Eu estava lá... vendo o pior. E o tirei dos joelhos e o coloquei de volta sobre a planta dos pés. Em pé estava de volta, pronto para me deixar observá-lo meter a cara no muro novamente.

Deus....

O silêncio entre uma gota e a próxima. Se você se concentrar muito bem, e consegui distanciar o espaço entre elas, vai perceber que a solução (e o esquecimento) de todos suas angustias está aqui: no tempo e espaço que uma se afasta da outra. A Single Drop. Milimétrico.

Sinto falta da chuva, da noite, da inocência, da solitude, e não da solidão.

Que chegue novembro.
Por favor.

14 de ago. de 2006

Night time just got a little brighter!



Cara, é só eu ou alguém mais achou esse chinelinho simplesmente genial?
Eu achei algo muito muito muito muito muito útil!
Admito, é um regalozinho que fica no limite entre o superficial burguês e o pratico pós-moderno.
Either way, uma idéia simples e funcional.
Isso porque eu sequer tenho/uso pijama, quanto mais pantufinhas...


Agora, o meu mais novo sonho de consumo é este faqueiro:






Alguém quer me dar um?
EU PRECISO DE UM DESSE!

12 de ago. de 2006

Garbage - Special


I'm living without you
I know all about you
I have run you down into the ground
Spread disease about you over town

I used to adore you
I couldn't control you
There was nothing that I wouldn't do
To keep myself around and close to you

Do you have an opinion?
A mind of your own?
I thought you were special
I thought you should know
But I've run out of patience
I couldn't care less

I used to amuse you
I knew that I'd lose you
Now you're here and begging for a chance
There's no way in hell I'd take you back

But I've run out of patience
I've run out of comments
I'm tired of the violence
I couldn't care less

I'm looking for a new...
But we were the talk of the town
I thought you were special

10 de ago. de 2006

Anxiety Attack


anxious anxious anxious


Tempo que não passa, noite looooonga. Porcaria.

Alguém me tira a bateria do celular.
Alguém me arranja uma receita de Frontal.
Alguém me dê uma garrafa de vinho.

[someone call the ambulance, there's gonna be an accident!]


Comprimidos, comprimidos, ansiolíticos, sleeping pills, fluoxetina, benzodiazepina....
Tudo que preciso é dormir!
[suspiro]






















branco....
fecho os olhos
e há luz branca atrás dos olhos
branco
tudo que preciso é dormir
um sono sem sonhos.

Strangers now

— Não desista de mim, não logo agora que eu .... (28/7/2006)

Bem, tirando o fato que eu já tenha desistido. Que diferença faz? Eu já. Mas não acabou de aparecer alguém que ainda não desistiu, que esta só começando?

Então que efeito faria usar essa carta?
Que diferença faz se eu desisti ou não?




Sinto que foi mais uma daquelas coincidências inconvenientemente convenientes...




“Strange,
Thought I knew you well.
Woke up to a world that I am not a part,
Except when I can play it's stranger”



[ouvindo Strange, por Tori Amos]

9 de ago. de 2006

I don’t love you anymore

Um dos filmes mais inteligentes e reais ever. Dois anos se passaram e ele ainda me atinge forte no nervo. O que mais se pode fazer quando da verdade não se foge mais?

Queria ter encontrado a cena final de Alice Ayres e Daniel Woolf no quarto de hotel perto do aeroporto. Esse sim, foi uma das conversas que ainda não tive, mas terei em breve.

De qualquer forma, a cena final:



Um dos fins de filme mais sensíveis, sutis, espertos. Como um andar na rua significa muito mais que um simples andar na rua. Outside versus inside. Note que ela morre. Sim sim, quase ninguém percebe, mas essa cena é um dos suicídios-acidentes mais leia-nas-entrelinhas que existe.


Ai ai.... pisa fundo no meu coração.

Desculpem-me ter entregado o ouro, para quem não sabia o fim do filme.
Have you ever seen a human heart? It looks like a fist covered in blood!

The Tree is Bare [A Negative of a Person]

[Diálogo e introdução do filme Sylvia, com Gwyneth Paltrow.]

Sylvia Plath and Al Alvarez dialogue:

A.A.: — Look... I know how you feel.
S.P.: — No, you don’t.
A.A.: — I do. We share, we share in common a... I... I tried to... I tried to.
S.P.:— How?
A.A.:— Same as you. Sleeping pills. I took too many. Everybody does, doesn’t they?
S.P.: — Sometimes I feel like I’m not... solid. I’m hollow. There’s... nothing behind my eyes. I’m a negative of a person. It’s is if I never... I never thought anything. I never wrote anything, I never felt anything. All I want is blackness. Blackness... and silence.
"Sometimes I dream of a tree... and the tree is my life. One branch is the man I shall marry and the leaves, my children. Another branch is my future as a writer. And each leaf is a poem. Another branch is a glittering academic career. But as I site there trying to choose, the leaves begin to turn brown and blow away until the tree is absolutely bare."
Bonito, mas como toda cinebiografia, há uma pitada de romantismo e idealização. Quanto a veracidade...

7 de ago. de 2006

Tori Amos – Iieee*

Eu poderia ir tão mais longe por você.
Eu poderia ir tão mais longe com você.

Agora,
Eu poderia ir tão mais longe de você.

Mais do que já estou.


“I know we’re dying, and there’s no sign of a parachute.
We’re screaming in cathedrals.
Why can’t it be beautiful?
Why does it gotta be a sacrifice?*”

É...



"And we would drive for hours and hours and hours. And I'd sit there and I didn't knew where we were going, but when we get there, no one would be alive."

¬¬

Que bom que ele está feliz. Adoro, adoro, adoro saber que ele está tendo um tempo muito bom da vida dele.

Pois eu estou passando por uma das épocas mais dificeis desse ano. Great.

Great!Greatgreatgreatful!

Hunf... isso é o que dá, quando se se envolve com crianças. Você só esteve brincando.

And you know what? You just lost me.

Desisti de você. Acabaste de me perder.

[...]

Sai do templo budista, deixei um amigo em casa, lá está eu: o Felipe, sempre otimista, sempre sociável e de bom humor.

E por dentro, dilacerado.

Sinto que cada órgão interno caiu no liquidificador. Virou carne triturada, e bebi de volta. Me escorei no banco do motorista e entrei no transe do eixão. A long road back home.

E ultimamente só tenho falado por meio de letras de música nesse blogue, não? Não queria ser tão hermético e tão anônimo. Quando minhas máscaras cairão?

Por sorte consegui pegar a locadora aberta. Loquei três dos meu filmes prediletos e nostálgicos, para fazerem companhia aos meus midnights-cups-of-coffee-with-Parliements-cigarrettes.

Ai, difícil, agridoce nostalgia.

[ouvindo Sometime Later, por Alpha]

A música é em homenagem a esse amigo, não só por tê-la me apresentado como, especialmente, por me fazer homericamente melhor com apenas um carinho em meu tornozelo. Apesar de comprometido, senti que sua simpatia/empatia singela me faz muito bem. E por saber que, de tão solitário e perdido que estou, um leve toque de dedos por cima da calça jeans me fez mais aliviado do que ouvir, do cara que eu amo, um ‘eu te amo’ — que se comprovou ser completamente esquálido e deficiente — semana passada. Há quanto tempo não era abraçado de uma forma honesta? Há quanto tempo que alguém teve a coragem de fugir do pudor e assumir ternura por mim em público? Há quanto tempo meu afeto existe sob a forma de segredos?


Ai... sou tão besta.

5 de ago. de 2006

You try to feel but you can't wake up

"I took a cab there to hold her.
I took a plane there to feel what she felt.
You make me like charity,
Instead of paying enough taxes.

You make me like charity, instead of paying enough taxes."
The Knife - You Make Me Like Charity.

2 de ago. de 2006

Possibly Maybe.

Como sempre nosso relacionamento se volta para essa música da Björk.

Já passamos por cada estrofe, cada verso dessa música, porém hoje me foco num trecho da terceira estrofe:

"Who knows what's going to happen:
Lottery or car crash — or you'll join a cult?"


Sansão às Avessas

primeiro de agosto de dois mil e seis, três e meia da manhã:

Foi nossa última conversa, uma despedida. Sim, com diversos planos para um futuro. Um futuro próximo inclusive. A opinião dele é otimista.

A minha não.
Nem digo que estou pessimista, mas acredito que a visão otimista dele jamais será minha visão otimista. Um conflito de interesses, simplesmente.
“vai tudo melhorar, e quem sabe, pela saudade e pela perda, eu possa finalmente ser esse homem amadurecido que você quer que eu seja para você. Você sabe que eu vou voltar, e nesse tempo eu vou tentar quebrar todas essa barreiras que ainda tenho contigo.”
De qualquer forma foi uma despedida. Nunca ele fora tão romântico e carinhoso como foi nesse dia, nem eu.

Mas fazer o que? Ele já até está com outro. Meu medo era justamente este: nesse tempo de liberdade tudo pode acontecer. TUDO. Inclusive ambos percebermos que vivemos muito bem (ou até melhor) um sem o outro. E daí o que teremos? O que construímos?

E querendo acreditar nesse tempo e ao mesmo tempo não acreditando, já sofrendo por antecipação, deitei em minha cama. Sempre gostei de sentir cabelos no rosto e no pescoço e já não os cortava desde novembro. Estava deixando crescer para fazer meus dreads brancos com pseudomoicano e topete para o meio do ano que vem. Mas o peso da historia estava todo nele. Sentia impregnado em cada fio de cabelo o cheiro daquelas dores e doces torturas de viver ao lado dele. É agridoce. Além do que todo mundo me enchia o saco, pedia para cortar. Pensei: não acredito que vou ceder. Sim, vou cortar o cabelo. Eu preciso.

E prometemos um recomeço, não?

Levantei da cama, peguei a tesoura e meu pouco usado barbeador e tranquei-me no banheiro.

Olhei no espelho: this is the last time.

E cortei tudo, raspei tudo. Só deixei a barba e as sobrancelhas. Sai do banheiro duas horas depois, às 5h30 e fui dormir.

Um visual novo, cujo significado vai bem além da pura vaidade. isso me garantiu um tempo a frente, uma ideia que o fim ainda está longe. é até uma enganação para minha índole suicída. E uma promessa, na verdade várias.

Promessas que tudo vai mudar, que eu vou mudar.
Que vou perder peso e ganhar músculos.
Que vou me dedicar ao Italiano e ao Francês.
Que vou ser um ótimo funcionário no trabalho.
Que vou ler todos os livros que ainda não terminei. Inclusive os meus guias de arte e de viagem, e os livros da faculdade.
Que vou juntar uma grana legal.
Que vou colocar em prática minhas idéias artísticas, aproveitar minha câmera filmadora. E me consolidar como vídeo artista que hei de um dia ser.
Que vou hibernar, isolar do mundo de aparências lá fora.
Que não desejo mal a essas experiências dele, pois já sabia que, ao pedir um tempo, ele iria aprontar, iria ficar com vários, transar com vários. E que já que é possível que ele engate um namoro nesse ínterim (atrapalhando nosso planos pro futuro ou não) jamais serei mesquinho e jamais sabotarei a vida dele pondo minhas frustrações e desejos à frente da felicidade dele. Ou me envolverei ao ponto de me tornar desculpa para a fraqueza moral de alguém, como foi com o namorado anterior dele.
Que não vou perder minha identidade. Vou me divertir só, como já estou fazendo e não vou me pressionar para ser alguém que jamais fui.
Que já acredito que minha auto-estima depende só de mim, e que o orgulho que ele tanto gosta de ver ainda está lá, um homem narcisista, cínico e arrogante que ele sempre gostou de ver, mas que é ainda por cima um cara legal e o único. Pois ele está certo quando estava chorando no meu carro e disse: ... mas eu nunca vou conhecer um outro Felipe, alguém como você. Você próprio me disse que era único. E você é."
Que, como já odeio agostos, não o procuro tão cedo. No mês de agosto eu não existo para ele. Não atendo telefone, SMS, email, nem a porta de casa. Depois de 7 de setembro, quem sabe?
E o mais interessante, um exercício de paciência e disciplina (para um homem ainda por cima): sem sexo. Celibato total. Não vou procurar conforto em outra pessoa. Quero me restaurar dependendo apenas e exclusivamente de mim. Não vale nem masturbar-se, videozinhos pornôs, beijinho inocentes no Beirute. Nananina não. Nada.

O resto vem naturalmente.

E nos vemos daqui um mês, quando a sombra macabra de Agosto se afastar. E quem sabe eu já seja um novo homem? Por bem ou por mal, já sou um homem com um novo corte de cabelo.

Ao contrário de Sansão, que perdeu as forças quando teve seus cabelos cortados, eu, sendo minha própria Dalila, restaurei minhas forças ao desapegar dos meus cabelos.
A Negative of Samson.