4 de jun. de 2008

Saudades...

Incrível como se construiu. Dores que já são tão internas que nem dolorosas mais são. Símbolos e momentos e lembranças que se agregaram e agora é construído e não mais temporário. Constante. Permanente. Eu diria ser uma pessoa deprimida ou melancólica, mas é tão intrínseco a mim, que já não há mais intensidade, desconforto ou estranhamento. É o fatalismo do normal.

Tu foste tão parte de mim, foste tão interno a mim que ao meu caráter talhou-o. Até o dia que a historia se alterou, ou seguiu, e não aqui estava. Um ano depois. Três anos depois.

Até o dia que se passem dez anos. Ate a estória seguir no momento: doze anos depois. Até que o linear na estória se interrompa e o filme pula para tela em preto mostrando: vinte anos depois.

Then thirty, then forty, then... fifty years later.

Entendeu? Percebeu que um dia eu e você vamos morrer sem sequer pedir perdão um para o outro?

Exato. Pode ser que sua conjuntura sócio-emocional-financeira-etc seja perfeita (borderlining ideal), mas certas coisas aqui estão bem vivas. Mas vivas naquele contexto: tão idiossincráticas e internas a mim, que são na verdade mudas. Elas não precisam ficar eternamente buzinando a luz vermelha, o pisca alerta. De qualquer forma, estão eternamente expostas no back of my head. And I’ll never forget they’re there/here. Mesmo assim para você acabou.

E creio sim, que você não tem consciência que eu e você vamos morrer sem pedir perdão um ao outro.

Hoje, ouvindo essas duas musicas, deitado no universo bem diferente do que você deixou (e que, no entanto, você fez parte) eu quis. Quis mandar um mísero SMS: Saudades.

E daí? Você não vai responder. Você já declarou meu óbito (15/5/2007). Como eu mando uma mensagem dessas, falando algo surpreendentemente positivo... sendo que seu aniversário passou e sequer o Boys For Pele que eu quis te dar de presente eu enviei?

Pois é... eu mesmo não tomo ação contra a entropia.

Se eu fizesse algo positivo, talvez te forçasse a fazer algo positivo. Talvez eu quebrasse sua hostilidade, talvez reconquistasse um resquício da amizade, do amigo. Se eu fosse otimista talvez atraísse um otimismo. Talvez eu ganhasse sua simpatia. Ou quem sabe uma mísera esmola do seu respeito...

Acho que você não é o tipo de homem que me ofereceria respeito. Acho que você não é o tipo de homem que seria educado. Acho que você não é o tipo de homem que compreende que é “eternamente responsável por aquilo que cativa”. Muito menos o tipo de homem que responderia uma mensagem ingênua.

Ou o homem que pede e oferece perdão.
Você não é o tipo de homem que pede perdão.
Você não é o tipo de homem que oferece perdão.

Fácil falar dos outros, não? Que tipo de homem seria eu, seguindo esse pensamento?

A verdade é que você nunca vai perguntar. E você se surpreenderia com a resposta, eu garanto. Por quê? Porque eu me surpreenderia com a resposta.



Anos após, meus símbolos, talvez cheguem aqui. Muse vindo tocar em Brasília. Aquelas músicas retornando às minhas caixas de som.

E as coisas mudas, as coisas constantes...

Bem, a dor que de tão comum se torna anestésica... Velho amigo: hoje a dor voltou a ser dolente. Today I felt again. E sim, por mais que eu seja a pessoa melancólica e deprimida, o cinismo e estoicismo cancelam qualquer sentimento. Ser cego, ser surdo, ser mudo.

E sim, é verdade: dói. It hurts. A lot.
And today I’ve felt it.



Well, I hope you’re okay. I hope life treats you kind and that you’ll never have to feel the need to ask someone for forgiveness or empathy or just to say hi, because I know how is to wait a whole year for one phone call to be answered. I really don’t want you to experiece this kind of angst I’m feeling. And it has been only one year. Imagine how aching is to live a whole life feeling like this? A lifetime of wait. No, I don’t want this for you.

Life is not short. Life is long.





Se amanhã eu morresse, hoje você me perdoaria?


[ouvindo Hyper Chondric Music, por Muse]
[ouvindo We Choose Faces, por I Love You But I’ve Chosen Darkness]

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