16 de set. de 2006

Sendo ilegítimo em minhas intenções.

O que se tem a fazer mesmo é esperar.

Enquanto isso ria. Ria das tuas humilhações. E espera!

É estrada longa, é incerta, é escura e é duvidosa.
You might be just beggining, you might be near the end.

E é tudo o que me resta, não? Basicamente é isso.
Posso ter falhado nessa oportunidade — e para isso só tenho eu a culpar — mas ao menos eu agi. Coloquei em prática o que julguei ser a melhor tática e disso não me arrependo.

Hoje tive uma lembrança muito boa.

Revivi, por acaso, praticamente todos os passos de um dia que me foi especial, único, belo. Foi nesse dia que resolvi baixar as guardas e parar de forçar a barra, e finalmente consegui o que precisava. Claro, talvez os motivos não tenham sido assim tão poéticos, mas lá estava: felicidade singela e tímida, genuína e interna.

Uma lembrança muito boa de um momento muito bom. E o mais confortador: um momento real. Ele existiu. Algo que aconteceu e finalmente um momento não planejado em minha cabeça, nenhuma das peculiares fantasias que crio, hábito de longos anos (e talvez uma das poucas coisas que conservo de minha infância). Foi real, foi palatável. Eu pude sentir o gosto em minha boca, denotativa e conotativamente. De várias maneiras eu senti o gosto em minha boca.

E descobri uma coisa.

Não gostei de ter uma lembrança boa. Isso me fez triste, isso me magoou. Afetou-me de uma forma tão singela, tímida, genuína e interna quanto aquela lembrança. Algo me fez entender que há ainda um longíssimo caminho nessa inescapável Espera e que no fim demanda muita perseverança.

A certeza é de que ainda sou imaturo, que ainda não estou preparado, que ainda há uma imperfeição muito forte a ser compensada da minha parte, que há ainda muito em mim a ser trabalhado. E que é um preço muito alto.

Um preço muito alto por uma coisa muito pequena.
Um preço alto por algo que representa apenas um principio.
Apenas uma luz.
E ainda não significa exatamente solução.
A minha solução.
A solução que, por direito, pertence somente a mim.



E aquele momento em particular, aquela lembrança de uma felicidade, me fez questionar minhas ações.
Eu me pergunto: estou agindo errado?

E talvez seja isso.
Estou sendo ilegítimo em minhas intenções.
Agindo de má-fé.
E sendo burro, sendo ingênuo.

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