Era exatamente isso o que eu queria, talvez precisasse alguns meses atrás. Meus amigos nunca vão entender, nem minha família. Ninguém vai entender, pois nem eu, nem ele compreendemos. O que fomos e o que somos agora. Talvez, o antes e o depois sempre fora o mesmo, logo, aquele tempo de separação nunca existiu, fora do fisicamente. E mesmo assim, não posso afirmar com certeza, talvez seja esse um tempo transitório. Talvez ainda seja um tempo de adaptação.
Não nego que espero que seja um tempo de preparação, para o momento que eu e ele estivemos em sintonia.
E não nessa dissincronia sintonizada, que eu tanto amo.
Segunda-feira, os profundos caminhos da nossa intimidade. Aquela sem tensões. Naturalidade. Natural. Ele deitado em minha cama, com meu notebook no colo, traduzindo um texto de um livro — que eu particulamente não aprovo, mas talvez por preconceito, pois admito que não me dei ao trabalho de ler, nem vou. É noite fria e que me parece mais cálida pelo meu recém banho, frescor. My kimono barely covering my chest.
Eu deito sobre ele, leio meu livro empacado há meses. Às vezes ele me pede uma sugestão vocabular. É sempre um momento de auto-indulgência, pois ele sempre sorri em resposta ao fato de eu sempre ter a palavra na ponta da língua. These are the times our brains have sex. Lembro dos dias num passado, quando as coisas eram mais simples, estávamos numa fase menos complicada. Melhor, estávamos confortáveis com nossa complexidade, ao contrário dos dias mais escuros entre eu e ele. Our lovemaking is completely philosophical.
Quando ele me pede para opinar sobre um trecho, eu me debruço sobre ele, para melhor ver a tela do laptop. Aproveito para roubar um beijo fugidío e fugaz e aproveito para sentir todas as notas do cheiro dele, da camisa dele. Cheiro do amaciante que a mamãe dele escolhe, ele sempre foi muito ligado à questões familiares, apesar de ser estrangeiro na própria familia. Será que somos irmãos? Será nossa relação incestuosa. Ou ele é só o cara que eu chupo?
A idéia de família não é cementada na idéia de sexo também?
Então eu volto para meu livro, para aquela paz temporária. Encosto na parede e meus dedos passeiam pelo solado de seus pés, pelo peito e pela aquela textura epitelial que só ele tem. E a textura de uma pele que nunca encontrei em nenhum homem e por isso rejeitei todos. É o cenário perfeito, Portishead toca no rádio, logo depois de um cd do Seal e de piadinhas intímas. É a expressão serena de nossa intimidade.
Então meus dedos enlaceiam os dedos do pé dele. O que mais me toca, é como ele responde, como ele cede e meigamente responde aos meus carinhos. É o momento que eu mais quero. É o momento que eu amo. Was the time I was longing.
The key of my longing: reciprocity.
Tudo isso, no entanto, mascara meu medo. É a sabedoria que eu tenho de que: ele não é para mim, nem eu sou para ele. Our love could never be. And it will never be. Talvez nada além disso. A liberdade do nosso amor só será efetivada sob à sombra de outros amores.
Ninguém fará parte desse cenário. É só meu e dele. Mentira, é só meu. Sentir é algo completamente solitário. Ninguém invadirá esse espaço, ninguém compreenderá que sentimentos são esses; amigos, famílias, inimigos. Friend or foe, no one will. Inclusive nós. Sempre viverémos essa falha comunicativa, essa barreira sentimental, que alimenta minha inveja de ser esse homem por um dia; e que ele faça o mesmo. Talvez ele sentirá um pouco mais de pena de mim. Baixo, não? Honesto, no entanto.
Não quero ele.
All I want is some other thing to crave, an object to crave. Tudo que eu quero é outra experiência, outro processo de amadurecimento.
Tudo que eu quero é outra pessoa e não ser de ninguém. Eu quero uma coletânea de paixões, distopias e aventuras fictícias. Não quero outra densidade emocional além do instinto. A lover that I don't have to love.
Mas não hoje à noite.
Tonight is nothing but perfect this way and with him.

Nenhum comentário:
Postar um comentário