Retornando à casa, pela segunda semana consecutiva de encontros madrugais, e ouvindo Vanessa-Mae e seu violino nos arranjos triunfais e progressivos, eu sinto: é isso!
You fly me up. So close to Heaven.
Excitação, glória, despertar, emoção, paixão, opulência. Como um romano que retorna da guerra para sua terra, além dos territórios agora desbravados, conquistados e sua coroa de louros na cabeça e sua toga tangida
Minha vida está o oposto disso.
E não me entenda mal, não estou reclamando. Eu gosto de estabilidade, eu lutei dois anos por estabilidade. Mas os adjetivos estão mais para: morno, estúpido, enfadonho, baunilha, previsível, típico, cínico. A culpa vem desses hábitos que mantenho.
I’m not easily impressed. Not really surprised at all.
Eu desconfio, porém, que o buraco é mais embaixo. A julgar pelos recentes acontecimentos, acho que meu medo é realmente descobrir que não me dói nenhum pouco mesmo. Ficou mais fácil de apertar o delete, de apertar o botão de reset.
É... não me agrada mesmo, reiniciar... Tá bem ali o botão.
Fiquei repetindo a mesma frase hoje à noite e a ficha não caiu. Estou esperando o inevitável: cedo ou tarde aparece alguém mais interessante do que eu, que oferecerá o que não posso supostamente oferecer.
Ou seja, é o momento que: estarei numa situação porque fui obrigado a estar nela, e não porque decidi estar nela.
Então outras pessoas fazem o esforço que não estou afim de fazer. E justamente, algumas coisas não valem mais o meu esforço, não valem minha paciência por mais que eu tenha lutado por tudo isso desde 2002. (Sou um filhinho de papai e um filho da puta mesmo, não?) Afinal, quero, quero sim, mas cara, o desgaste não compensa. Uma questão de economia, um trade-off.
E meu medo é me surpreender por me sentir muito bem em largar tudo, abandonar tudo que amo. E não haver nenhum remorso por trás. Acho que imaginei haver um valor que eu mesmo não dei esse valor, não há lastro. I'm afraid that I pretty much don’t care for the things I said and thought I care. Só uma questão de minha imaginação.
Enquanto isso, eu vou dirigir meu carro, escutando minhas triumphant songs. Afinal é o que eu gosto, que me cura o tédio. O que seria de mim sem minhas músicas? Vou me entrgar ao meu violino lacrimoso, meu violoncelo melancólico, meu piano torpe, meus vocais passionais.
Meus gritos épicos e egoístas.
E em casa... nada que uma punheta não resolva. Siga esse conselho, querido.

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