26 de jan. de 2007

Feels like being underwater

Eu me pergunto se haverá algo do outro lado. Bem, não exatamente do outro lado. Mas na superfície. Fora d’água.

Quando comprar um apartamento tenho apenas algumas prioridades: um quarto para ser meu ateliê, uma lava louças e uma banheira com chuveiro de altíssima pressão.

Na casa dos meu avôs tem uma. E eu fico lá de olhos fechados, fazendo apneia. Sentindo o peso e a pressão sobre mim. Trying to slowly kill myself. E lutando contra o reflexo do meu corpo puxando por ar. I don’t belong there, but I try.

Debaixo d’água é onde me sinto bem. Água. Água... alguns para se sentir melhor/refletir/fugir/espairar tomam remédios, ou fazem sexo, ou atiram em pássaros, ou andam de bicicleta... eu, eu tomo longos banhos.

Hoje... foi um daqueles banhos de água, sal e sangue. Literalmente.

Metaforicamente, porém, me pergunto: — até onde vai meu afogamento? E o que vai ter no fim, quando eu chegar à superfície. quem estará lá?

Bem... não mais quem. Desisti dessa idéia de ser resgatado, pois desconfio que não serei. E meu cinismo há muito me ensinou que não existe contos de fadas. Não há herói. Na verdade, não estará lá o homem perfeito que entrará em sintonia comigo e ele me salvará e de repente eu não precisarei me jogar em lagos, rios e mares...

Esse homem eu já encontrei.

Ele existe, está lá. Mas... não foi a solução, não?

Então, o que estará na superfície? que sentimento? What bliss? Or thrill? Or enlightment? Or strengh? Or peace?

Or just silence.


“When you’re standing in deep water, and you’re bailing yourself out with a straw. And when you’re drowning in deep water and you wake up making love to a wall.”*

Depois de muito tempo... braço ardendo por causa dos cortes, rosto ardendo por causa dos tapas. Não sei.
Não tenho mais raiva. Já planejei minha vingança e a executei aqui na minha cabeça.
The anger is gone, now I’m just sad.

I’m terribly sad. Sad.
I’m unwell.

Entrei no chuveiro, ainda vestido, sentei no chão e esperei...

Red drop to red drop.

“I’d drink [champagne] and still it would not come.
I’d had an orgasm and it still would not come.”**


(well... I did not have any orgasm... he had one, but I not...)


Para aqueles que viram Babel, eu sou a menina japonesa. Sim, sou ela. Nunca consegui me comunicar. Nunca. Passei a vida toda me entregando à homens que pudesse reconhecer a força de um abraço. Um abraço. Why people can not articulate vulnerability when they see it? Why they do not help?

E eu fui prestativo. Ate demais. Reconheço que, às vezes, foi só para uma pessoa ou duas. Mas eu fiz mais do que me pediram. E que eu ganho?

Não importa. No fim das contas ainda há uma boa massa de água ainda para subir. Ainda não há luz na superfície e não...

É...







* Deep Water – Jewel.
** Would Not Come – Alanis Morissette

Um comentário:

Anônimo disse...

ahhh eu tb preciso de uma lava louça, estou há duas semanas com uma panela com cultura de fungos dentro e ainda não criei coragem de fazer algo a respeito. com certeza vc é a menininha japonesa, ela adora pintar o cabelo e o 1° japa da cena é igual a mariela. total.