14 de nov. de 2006

Sobre relacionamentos e solidão: Texto introspectivo para (des)ler no feriado ao som de uma belíssima canção de Björk

Para relembrar as antigas reflexões de LPT, um doce texto roubado de Elenita, em Seredipities. Faço as dela, minhas palavras.

"Outro dia conversava com uma amiga que dizia que estava cansada de ficar sozinha e que não aguentava mais não namorar. Disse a ela que ela continuava sozinha porque era do desejo dela. Ela relutou e disse que eu não sabia de nada. E o fato é que por muito tempo pensei como ela.
Mas quando alguém se sente sozinho ou está descontente com a vida, muitos especialistas costumam sugerir uma checagem sincera da vida emocional e afetiva. As perguntas "por que estou sozinho?", "porque não consigo encontrar alguém para mim?" passam então a ser substituídas por "o que fiz com minha vida?, "que pessoas eu encontrei e quais eu não me permiti encontrar?", "o que estou buscando?", "quem estou realmente buscando?", ou mesmo "quero ter alguém neste momento em minha vida?". E a verdade é que todas as escolhas que fazemos estão sempre ligadas a nossos desejos, sejam eles conscientes ou não.
Se hoje temos alguém a nosso lado que não nos satisfaz, ou que nos traz algum sofrimento, certamente esta pessoa atende a alguma outra necessidade que talvez pouco percebamos, mas que no momento é a mais importante e a mais forte. Se não temos ninguém a nosso lado pode ser porque, de alguma forma, preferimos isso; ou por medo, ou por egoísmo, ou por achar que ninguém é bom o suficiente, ou por algum outro motivo de que nem temos consciência ainda. Mas é sempre uma escolha NOSSA. Ninguém está fadado a ficar sozinho; a solidão afetiva é uma escolha pessoal como a maior parte dos caminhos que tomamos na vida. Ela não é obra do acaso ou da falta de sorte. A gente escolhe estar sozinho ou acompanhado baseado no nosso entendimento daquilo que é melhor para nós e daquilo que não vai nos fazer sofrer.
Disse essas coisas pra minha amiga, mas acho que no final das contas quis dizer foi mesmo para mim. Tento me convencer todos os dias de que as histórias (im)possíves e (ir)realizavéis que escolho ou invento são mesmo apenas fruto da minha mais íntima vontade. Se uma pessoa sempre projeta sobre o que não pode ter, no fundo ela não pode querer ter, certo? Da mesma forma que a conversa, acho que talvez também seja para mim, e apenas para mim, que hoje posto Björk e a reflexão que ela traz com esta música. All is full of love.... A gente só não vê se não quiser. No fundo, é simples assim."