7 de set. de 2006

Happiness is a warm gun.

Bem... acho que no fim a coisa não vai ser bem expressa, mas é mais ou menos assim:

Não creio em contos de fadas, pois já acreditei e vi que não funciona.
Não creio em amor eterno, pois já amei e vi que não é o suficiente.
Não creio em altruísmo, pois fui altruísta e ainda assim fui acusado de agir egoisticamente.
Não creio em segunda chance, pois já dei quintas, sextas chances e nada mudou.

Então... para que eu estou gastando tempo?


Não estou me divertindo.
Não estou produzindo nada.
Não estou satisfeito.
Ninguém me veio provar o contrário, aliás só reafirmaram.

Estou apenas gastando...

Combustível.

O tempo dos outros.
O meu tempo.
Dinheiro.
Responsabilidade.
Comida que poderia ser de outra pessoa.
Roupas que poderiam ser de outra pessoa.
Tinta de cabelo.

My life seems pointless? Yes. And, my friend, I assure you that is not for lack of trying. And I’m not even depressed.

Bem, acho que volto a minha antiga Teoria da Racionalização dos Sentimentos. Sabe quando você calcula uma paixão apenas pela razão, e não mais pela emoção? Pois é, no fim é uma visão bem econômica e bem cartesiana.

Não estou deprimido. Estou na minha fase mais racional e lógica da minha depressão. Portanto, não analiso o Suicídio com olhos de quem se sente mal. Mas com o olhos de quem está vendo tudo como um jogo ou um organismo que prescinde de certas, digamos, falhas minoritárias (overemotional people, massive-spenders, faux-selfless-behaviours). Fico sentado aqui, me sentindo muito bem, alegre e feliz, pensando: o que me faz ficar aqui? Sim, coisas práticas, palatáveis, qualitativas. O que, de fato, há nessa Terra que me segura aqui?

E esperar tanto para encontrar a primeira coisa na lista que seja uma resposta razoável. Acho que é este o verdadeiro sintoma de que sua vida está uma m****a! É quando você está acordando num dia de sol, depois de ter uma noite maravilhosa com a pessoa que ama, você não está doente, não está triste, não está (fatalmente) endividado, não lhe falta recursos básicos, e no entanto a primeira coisa que lhe vem a cabeça é: hummm.... acho que eu deveria me matar.
Sim, sua vida é uma m****a.

O maior motivo é quando não há motivo algum. É tudo muito estéril.

A parada é que eu tentei. Sim!

Tive .
Tive esperança.
Acreditei.
Pensei no bem maior.
Evitei decisões precipitadas.
Lutei.
Procurei alternativas.
Expandi meu mundo, meus gostos, meus interesses.
Olhei além dos defeitos.
Ofereci a mão à quem precisava.
Corri atrás do prejuízo.
Pedi desculpas.
Ofereci a outra face.
Reconheci minhas falhas.
Respeitei as falhas dos outros.
Respeitei o tempo de cada um.
Lidei com meus problemas sem pedir ajuda de ninguém.
Pedi ajuda quando necessário.
Engoli minha acidez e sentir queimar dentro da garganta, estoicamente.
Lutei contra minha inibição ao ver alguém chorar.
Ouvi coisas que não gostei de ouvir, calado.
Respeitei as barreiras.
Joguei fora meu amor.
Limpei as máculas do meu amor.
Curei meu amor.
Vi meu amor se fuder por escolha própria.
Perdoei meu amor.
Vi meu amor se fuder por escolha própria mais uma vez.
Li livros.
Fiz caminhadas.
Quebrei tudo pela frente e paguei com meu dinheiro depois.
Dei presentes, com segundas intenções ou não.
Tomei sorvete.
Comi chocolate.
Fui ao cinema.
Fui romântico.
Preparei um jantar especial.
Dei ultimatos.
Dei uma segunda chance.
Prestei atenção no que o outro era, a fiz sentir especial.
Acreditei que o tempo curava.
Acreditei que coisas boas vêem àqueles que esperam.


E onde está?


Promessas, promessas, promessas.... só isso que elas são. Tudo bem vazio, tudo sem nenhuma garantia, nenhum lastro.

[There’s no love, no money, no thrill anymore.]


Não creio em merecimento. Ninguém tem o que merece.


Se as pessoas recebessem exatamente o que merecem, eu teria feito muito menos esforço, teria perdido muito menos a paciência. Eu tinha mandado muita gente se fuder há muito tempo. Mas não! Não... fui tolerante, fui legal. E quem foi legal comigo?

E quem respeitou minhas necessidades? Minhas carências? Quem me ouviu? Quem moveu uma palha para me dar o que eu precisava? Não me ofereceram nada além de condescendência e pena. E quem meteu a faca na minhas costas depois de eu admitir minhas fraquezas?

Tudo o que eu tenho foi fruto do meu esforço, não do meu merecimento, e por isso mesmo que eu tenho vontade de me jogar da janela. (Contraditório, não?)

Se as pessoas tivessem o que merecessem, traidores eram decapitados. E olha quem vai ser reeleito? Olha quem vai ter uma noite louca de sexo hoje? E olha quem não vai ter a responsabilidade de suprir o vazio de alguém? E olha quem vai ter aquilo que eu mereço? Eu nao estou recebendo isso, outros (plural!!!) estão recebendo o que é meu por direito!
Ainda me dizem: não, se acalme. Dê tempo ao tempo, tudo que você tem de fazer é partir para outra e esperar.
Uê, eu já não estava esperando? Se eu não estava esperando o que estava fazendo? Parado num vortex espaço-temporal onde as coisas acontecem mas o tempo não muda? Porque nada mudou e eu só envelheci. Então estou esperando o que? A morte? Então me dê uma pistola, que a espera se resolve num instantinho.

E ainda por cima, eu preciso estar vivo, para continuar cuidando de idiotas. Porque se não alguém vai chorar no meu caixão: por que isso aconteceu? Por que eu não fui o suficiente? Por que o cara que eu amo me abandonou?

E a ultima coisa que eu quero é ter de ouvir lamentos arrependidos vindos do plano terreno, principalmente de alguém que nao se deu ao trabalho de perguntar a verdade. (Quem está no Além, chama isso aqui de que? Porque para mim é além, não é tudo relativo? Em relaçao ao Purgátorio, o Plano terreno é o Além.). Os outros cairem na real, me desculpe, mas isso não é no meu departamento!


E como eu sou muito cínico, sempre fui, vou finalizar meu texto com puro e agridoce escárnio. Um descaso, um não me leve a sério. Escrevi meu texto ao som de baladinhas bregas dos anos 80 e, direto do VocêTubo, vem essa músiquinha de Rick Astley, Never Gonna Give You Up.






“A full commitment is what I’m thinking of
You wouldn’t get this from any other guy

Never gonna give you up
Never gonna let you down
Never gonna run around and desert you
Never gonna make you cry
Never gonna say goodbye
Never gonna tell a lie and hurt you”
Ai ai ai... eu mereço! Sempre bom finalizar com o amargo de pura ironia.
Never gonna give you up, never gonna let you down...

6 comentários:

Always Empty disse...

Vc já assistiu O Sexto Sentido?
Com certeza já né?!
Pq lendo esse seu texto eu me lembrei de uma frase do filme: "eles só vêem oq querem ver..."
Vc é assim... Só vê oq quer..
Eu tentei ser legal com vc, ser sua amiga, te dar atenção, te ouvir e aconselhar, mas vc viu isso??? Não!
Vc precisa de alguém "tão bom, quanto vc" pra te fazer feliz.
Reles mortais, menos inteligentes e menos capazes do q vc não adiantam, não ajudam e não fazem sentido.
Tudo bem.
Não me importo mais.
Eu tentei mostrar pra vc q eu realmente me importava.
Vc não percebeu.
Só a sua vida é importante, seus problemas, seus [des]amores, suas lágrimas. Nada mais importa.
Eu acho q já é hora de vc sair desse seu mundinho egoísta e começar a prestar mais atenção ao seu redor.
Pode existir mais alguém q se importa com vc.

Anônimo disse...

olha esse post é mt grande mas eu só vou comentar alguma coisa do começo dele.
vc amou alguém? tem certeza disso? vc sabe qual a diferença entre um grande amor e uma grande paixão? vc foi altruísta? se deixou de ser por algum motivo q diz respeito a outra pessoa, isso nao é ser verdadeiramente altruísta, altruísmo é não esperar nada da outra parte, e não só ajudar os outros.
phil vc é um blefe. e ainda anda todo metido a crítico. pra um iniciante a altura está alta o bastante para uma bela queda. e é isso e isso é tudo.

Anônimo disse...

caramba, agora q eu vi esse primeiro comentário. que palha vc seu phil.

Anônimo disse...

vc se diz racional, mas é um puta passional romântico. e claro, dramático.

juliana disse...

me poupe phil, espero q da proxima vez q eu entre aqui tenha algo com conteúdo, vc falando de algum filme, de algum autista plástico, enfim, a vida parece mt pouco qnd só se pensa e se fala de si mesmo. droga, e eu to tentando ansiosamente sair desse ciclo.
beijos pra vc. (isso não é uma critica propriamente dita, se eu to falando isso é pq eu sei q vc tem conteudo pra mostrar, só falta atitude)

Anônimo disse...

ATITUDEEEE
ATITUDEEE (e atitude não é simplesmente usar uma saia)