21 de mai. de 2007

Committed.

See... it changes all.




Orkut é uma maldição.

20 de mai. de 2007

Virtualidades

Hoje a maior alegria do dia, a qual me rendeu horas de planejamento de ‘com que roupa eu vou?’, foi ter conseguido ir ao cinema com meus amigos. E me senti tão bobo por ter agradecido aos céus por algo tão trivial. Afinal, se isso me traz uma felicidade plena, qual ruim está o panorama?

Só precisava que algo desse certo. Bobo eu, não?

E no carro, voltando para casa com minha carona, dialogamos:
— Fazia tempo que não ouvia essa música. Me lembra o primeiro semestre do ano passado: UnB, nós de plásticas nos aventurando, minha vida amorosa estava caótica. E é uma letra tão boba: estava pensando na minha companhia, quando você vai tocá-la? hehehe— Diz, Marina.
— Fico pensando: acho que nunca na minha vida aconteceu da minha vida amorosa não ser caótica. Que desde minha primeira paixão platônica, do Rodrigo ao Demônio e seu atual namorado (que apelidei carinhosamente de Pâmela), passando pelo Luiz ... só tive estória louca. — Diz Phil.
— Falando nisso, o Gustavo sempre fala comigo no Segue-me. Ele é super gente boa. Ele está na animação da festa junina. E se você for eu vou te expulsar da festa!
— Lógico que vou nessa festa. E ainda mais com esse casaco de 600 reais que eu tô usando, esse casaco é tão bonito que ninguém resiste à ele! ele não vai resistir ao meu casaco e vai falar comigo. Hihihi... Mas sim... O Clark Kent., ele é um bom homem mesmo.
— Clark Kent genérico.... o Gustavo não é tão bonito quanto o Clark Kent para ser comparado a ele...
— Gustavo tem um charme e um jeitão de Clark kent, são os óculos eu acho. Mas ele sempre teve medo de mim, age como se eu ainda fosse apaixonado e tanta coisa já se passou depois. Não sei, tenho uma boa lembrança dessa época... penso em como eu sofri à toa e como era mais fácil aquela época. Acho que até me arrependo de ter me declarado. Passei por aprendizados tão mais fortes depois daquilo que sinto que sofrer daquele jeito naquela época fora desnecessário. Acho que só desperdicei o meu tempo e o tempo dele.
— Mas é como essas músicas. Me dá uma nostalgia. Saber que tudo isso passou e são lembranças remotas e que todos os problemas de hoje também serão remotos um dia. Me dá uma alívio e me da uma sensação que foi tudo virtual, não se sabe se aconteceu mesmo ou se eu imaginei.
— Na verdade isso me desespera um pouco. Afinal, nada dura? É tudo uma fase?
— Penso como alguém que vê tudo pelo lado de fora. Que tudo isso acaba. Que não é necessário levar a vida tão a serio...










E ai? Como tudo fica? Instável?
Penso em como a gente já começa uma estória sabendo que existe um fim. E se certas coisas não valem a pena lutar/começar, por que a gente começa at all? Será tudo tão passageiro? Será que, o sofrimento atual de acabar com esses últimos dois anos é inválido? Então por que eu iniciei esses dois anos de estória? Por que admitir que é de fato o fim? Por que chorei se daqui a cinco anos vou olhar para essas lembranças (meu atual presente) e me arrepender porque eu muito provavelmente vou sofrer coisas piores daqui para frente?


Ao lado que me alivio pensando que isso vai acabar, que superei o Daniel e o Clark Kent (na época foram dores intransponíveis) portanto é só uma questão de tempo até superar o Pedro e o Próximo após ele, quem eu ainda nem conheci.

A verdade é que eu tenho medo. Não estou tranquilo e preciso de distração constante do meu estado de alerta. Sinto-me extremamente apavorado de andar pela cidade e encontrar com ele. Pior, com ele e seu perfeito e amado namorado Pâmela (acho ridículo acreditar que fui trocado por um cara que tem o mesmo nome do meu ex, seja lá que tipo de ex ele é. Pedro Henrique que namora Pedro Henrique. Para mim esse filho da puta é Pâmela, ou Manoel de Barros, Marcelo-Marmelo-Martelo, ou até Ricardão. Jamais o chamarei de Pedro Henrique...). Voltando: eu tenho medo. Saio de casa sempre arrumado, para não ser pego desprevenido. Sempre com óculos escuros, para não ser invadido. Aquele toque em especifico do meu celular costumava tocar sempre, e a essa altura do sábado já deveria ter tocado várias vezes... Será que eu deixei de ser a essência que ele me confessou eu ser quando ele chorava ao meu lado? Isso foi semana passada! Can it change so fast? Eu já fui esquecido? Será que já ele já esfriou os sentimentos dele antes mesmo que eu esfriasse os meus?

(This is cooling faster than I can)


Ai ai...

Um dia passa. Com uma pequena ajuda dos meus amigos, rindo até chorar, vendo filme na escadaria do cinema porque a sessão lotou, cortando o cabelo, gastando dinheiro com luxos efêmeros (mas hoje eu mereço), criticando a roupa dos transeuntes e falando mal dos homens junto com meus amigos in fossa, bebendo martinis... um dia passa e dessa eu me salvo.

But still is very lonely to be here, very lonely inside me.... Eu chego em casa e eu estou sozinho.
Chego em casa, todos já estão dormindo, as luzes estão acesas, os gatos estão brigando e minha cama está vazia.
Foi esquecida.








“I was thinking ‘bout my doorbell. When you gonna ring it, when you gonna ring it?”
A música em questão era My Doorbell, de The White Stripes.

15 de mai. de 2007

Ao ducentésimo octagésimo sétimo dia, ele disse:

— Aquieta-te.

E eu calei.





Duzentos e oitenta e sete dias.


Tente contar isso. Passe os seus próximos duzentos e oitenta e sete dias contando e depois respire aliviado.

Eu respiro, mas aliviado não estou. Hoje é meu primeiro dia em nova fase: L’Enfer.

Tudo bem. Estou aqui, deparando com minha condição e pensando: well, fui eu que me meti nessa, mea culpa....

Afinal, se eu soubesse que o que eu estava contando era na verdade nossos últimos duzentos e oitenta e sete dias, eu não teria contado at all. Teria aproveitado o fim e aceitado a condição de fim que o é. Mas quem é que sabe aceitar essas coisas?

O que podemos fazer?

“Can’t stop what’s coming. Can’t stop what is on its way.”*

Eu não sei o que vem agora, o que está preparado para mim. Na verdade nunca soube. Eu só tive um plano que não deu certo. Só me pergunto agora porque eu lutei tão apaixonadamente por isso. Estou arrasado, chorei ajoelhado ao pé da cama, dividindo espaço com minha riqueza, meus livros, meu ipod, os presentes que pedi de volta, nada serve de nada...

Perdi alguém que amei. Fui apenas um homem frágil. E acho esquisito me considerar agnóstico, mas, sempre que choro, reclamar a Deus. Não é contraditório? Perguntei a Ele as bobagens de sempre: por que me deu o Pedro, que me ajudou a superar o Daniel, e agora me tira alguém que finalmente se envolveu comigo? Por que eu preciso de cura para minha cura? Quando vai vir? Isso tudo é uma risada com minha cara? Ok. Então é para ser assim.

What a bummer...



"This is cooling faster than I can."**



*Bells For Her Tori Amos.
** CoolingTori Amos.